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  • Felipe Oliveira

Instituições financeiras: 4 maneiras de financiarem um futuro mais compassivo e sustentável

A última publicação da Plantadigital abordou a responsabilidade das instituições financeiras em relação ao bem-estar animal. Essas organizações realizam constantes avaliações de diligência sobre seus clientes, avaliando riscos sociais, ambientais e de governança. Essas avaliações frequentemente abrangem assuntos como direitos humanos, desmatamento e mudança climática, no entanto, a exploração de animais na cadeia de fornecimento raramente, ou nunca, é considerada.


Os motivos para isso são alguns:

  • Falta de conhecimento e interesse sobre o assunto

  • Forte poder político da agroindústria em países produtores de alimentos

  • Falta de legislação adequada

  • Infraestrutura de monitoramento insuficiente

  • Conflito de interesses causado pela proximidade dessas instituições com os grandes grupos agroindustriais

Este posicionamento é majoritariamente voltado para maximizar os resultados no curto prazo a qualquer custo (de vidas animais mas também ambiental e de vidas humanas hoje e no futuro).


No médio a longo prazo, no entanto, com as perspectivas de mudanças nos padrões de consumo, nas expectativas dos consumidores, na legislação e com o trabalho que diversas organizações de proteção animal e do direito do consumidor vêm fazendo e continuarão a fazer, esse posicionamento das instituições financeiras é um enorme risco financeiro para suas operações e investidores.


ações de empresa caindo
Não considerar o bem-estar animal e crise climática é um grande risco financeiro.

Desta maneira, trazemos abaixo 4 iniciativas que instituições financeiras de qualquer tamanho, localização geográfica, escopo e tipo de operação podem tomar para não somente evitar riscos estratégicos e operacionais no futuro mas também para contribuir de maneira positiva para o planeta, a sociedade e os seres vivos.


Vamos lá!


1) Diminuir e parar de financiar a agroindústria


A agroindústria é uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa, desflorestamento, destruição de ecossistemas e de sofrimento animal. Além disso, é conhecida por suas práticas como o uso excessivo de pesticidas, fertilizantes e antibióticos descontroladamente e a monocultura que intensifica a degradação dos solos. Por fim, também é uma das indústrias que mais contribui para o surgimento de pandemias como a COVID 19 e para a insegurança alimentar de bilhões de pessoas, visto que a grande maioria da produção é voltada para alimentação de animais.


As instituições financeiras, especialmente as de desenvolvimento local e regional e ligadas ao poder público, deveriam rever imediatamente a estratégia de relacionamento com essa indústria. Apoiar uma indústria que atua diretamente nas maiores crises que a humanidade vive atualmente é um posicionamento antiético, estrategicamente equivocado e um risco que coloca grande parte dos seres vivos do planeta em imenso perigo.



2) Estabelecer diretrizes de investimento e financiamento que considerem bem-estar animal e crise climática de maneira clara e objetiva


As instituições financeiras devem estabelecer diretrizes claras para investimentos e financiamentos que efetivamente considerem questões como bem-estar animal, preservação ecológica, impactos na saúde das pessoas e crise climática.


O fator bem-estar animal ainda é pouco ou nada considerado nos processos de diligência, mesmo havendo a utilização de práticas cruéis por parte dos maiores grupos de produção de alimentos do planeta no manejo de animais. É uma prática que não faz mais sentido se considerarmos que há real intenção dos consumidores em comprar menos produtos e serviços de empresas que não consideram o bem-estar animal em suas operações e a tendência de desenvolvimento de cada vez mais leis e regras que atuem para evitar essas práticas.


Existem organizações que oferecem certificação, diretrizes e boas práticas no processo de diligência e identificação de risco de empresas voltada exclusivamente para instituições financeiras que trabalham com a agroindústria, como a Farms Initiative. Esta organização determina Padrões Mínimos de Responsabilidade para diferentes indústrias, como produção de carne bovina, suína, de frango, ovos e leite. Esses padrões podem e devem ser utilizados como diretrizes mínimas por toda e qualquer instituição financeira no Brasil e no mundo.



3) Exigir e apoiar a adoção de práticas agroecológicas e de bem-estar animal de seus clientes


As instituições financeiras podem incentivar seus clientes por meio de linhas de crédito específicas para adaptação de processos operacionais, logísticos e organizacionais visando a adoção de práticas agroecológicas e de bem-estar animal.


Adicionalmente, podem oferecer e financiar programas de capacitação e educação para profissionais que atuam na indústria por meio de parceria com organizações públicas e privadas de educação e de proteção animal.


Com essas iniciativas disponibilizadas às empresas, as instituições financeiras podem exigir a adoção de melhores práticas garantindo que os clientes terão oportunidade e apoio para realizar as transições necessárias.


por favor não saia do caminho
É crucial que hajam diretrizes compassivas e sustentáveis para instituições financeiras

4) Direcionar recursos para novas tecnologias e alimentos alternativos


As instituições financeiras podem direcionar recursos financeiros para indústrias de alimentos sustentáveis e sem crueldade, como de alimentos baseados em plantas e carne cultivada. Existe real interesse não somente dos consumidores veganos e vegetarianos por consumir cada vez mais esses produtos, mas principalmente dos flexitarianos.


Este ponto abre um potencial de mercado gigantesco e uma clara oportunidade para investidores. A AT Kearney estima que, em 2040, 60% da carne consumida no mundo será cultivada ou sem origem animal, num mercado de quase US$ 2 trilhões anuais.


Outra grande oportunidade é apoiar instituições de pesquisa e empresas que desenvolvem tecnologia para a indústria de alimentos alternativos aos animais, como linhas celulares, biorreatores, scaffolding e novos meios de cultivo para a produção de carne cultivada. São muitos os desafios tecnológicos, por exemplo, para que se tenha uma oferta ampla, acessível e atraente desta alternativa. O investimento necessário para tal é alto, mas a carne cultivada tem o potencial de revolucionar a maneira como as pessoas comem carne no planeta todo.


Conclusão


As iniciativas acima são apenas algumas dentro de muitas que podem ser adotadas por instituições financeiras de todos os portes de todo o mundo na construção de um mundo mais compassivo e sustentável. O caminho para operacionalizar as mudanças necessárias não é fácil ou rápido, mas ele tem de começar o quanto antes e ocorrer o mais rápido possível.


As instituições financeiras têm um papel crucial a desempenhar na criação de um futuro mais sustentável e justo para o planeta. Como principais intermediadores de recursos financeiros na economia, é essencial que elas atuem de maneira assertiva em assegurar que bilhões de seres vivos tenham um mínimo de dignidade em suas vidas e em mitigar não somente os riscos financeiros de seus clientes e investidores, mas principalmente os riscos existenciais da própria humanidade.



Fonte das imagens: Mídia Wix e Unsplash

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